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Renova pede 15 dias de prazo para respostas ao manifesto que parou linha férrea da Vale

Terminou ontem (15/01), por volta das 21 horas, a manifestação de pescadores que paralisou durante 35 horas, em Baixo Guandu, a circulação de trens da Vale.
 
Os manifestantes, em torno de mil pessoas, que ocuparam a linha da estrada de ferro Vitória a Minas às 11 horas de segunda-feira, saíram do local por força de uma decisão da Justiça de Baixo Guandu, que estipulou multa pessoal de R$ 25 mil caso a paralisação continuasse.

A Fundação Renova pediu, em longa reunião realizada com uma comissão dos manifestantes durante a tarde de ontem, 15 dias de prazo para responder a uma série de questionamentos sobre a situação dos atingidos pela lama da Samarco, em 2015, na maior tragédia ambiental da história do país.

O fim do protesto aconteceu num clima tenso, com a presença de um oficial de Justiça e a Policia Militar, porém sem registro de incidentes. Os manifestantes vieram de várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo e deixaram claro, ontem, que se em 15 dias a Fundação Renova não responder aos questionamentos entregues na reunião, novas manifestações vão ocorrer.
 
A causa maior do protesto realizado em Baixo Guandu diz respeito a uma decisão da Justiça Federal de Minas Gerais, que alterou, em dezembro, o atual modelo de pagamento de indenização firmado entre os pescadores e a Fundação Renova.
 
O lucro cessante, segundo os pescadores, que seria pago no final de 2018 por perda da atividade profissional, foi suspenso por uma liminar da Justiça Federal, restando apenas o auxílio mensal que está sendo pago regularmente.

A pauta de reivindicações dos pescadores, no entanto, é muito mais extensa: eles reclamam, além do não pagamento do lucro cessante, da inclusão de profissionais de outras categorias, que dependiam do rio Doce para seu sustento e até hoje estão aguardando uma decisão da Fundação Renova. É o caso dos areeiros, daqueles que usavam material do rio para confecção de artesanato e vendedores de peixe, entre outros.

Os líderes do movimento deixaram a linha férrea aproximadamente às 21 horas e chegaram a fazer uma concentração em frente do escritório da Renova em Baixo Guandu, mas por volta das 22 horas começaram a retornar às suas cidades de origem. Pelo menos 800 pessoas vieram para o protesto de cidades como Governador Valadares, Resplendor, Itueta e Aimorés (MG) e de Colatina e Linhares, no Espirito Santo.
 
Prefeito
Enquanto era realizada, ontem, a reunião entre os pescadores e a Fundação Renova, o prefeito Neto Barros, que apoiou a manifestação, acompanhou do gabinete o desenrolar dos acontecimentos.
 
Neto não esteve no local da paralisação da linha férrea, que foi uma decisão das lideranças do movimento, porém deixou claro sua indignação com a Samarco, a Vale, a BHP e a Fundação Renova, na protelação da reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana, em 2015.
 
Segundo o prefeito de Baixo Guandu, o município não recebeu um único centavo desde 2015 da Samarco ou da Fundação Renova. Nem os gastos decorrentes da mudança da captação de água da cidade foram ressarcidos.
“Eu falo em nome dos mais de 31 mil atingidos em Baixo Guandu pela lama da Samarco. O que existe é uma enrolação interminável e estamos sendo vítimas de um calote que envolve empresas poderosas. Não vão nos calar diante de tanta injustiça”, reafirmou ontem o prefeito Neto Barros, que está sendo ameaçado, inclusive, de processo na Justiça por parte da Fundação Renova.


Ameaçado de processo pela Fundação Renova, o prefeito Neto Barros reiterou as críticas à demora na reparação dos danos 


A Fundação enviou carta ao prefeito, datada de 4 de janeiro de 2019, ameaçando-o de processo judicial por conta de declarações feitas por Neto Barros na 33ª reunião do Comitê Interfederativo (CIF), realizada em novembro de 2018. Neto é o representante dos municípios capixabas no Comitê.
 
Ontem à tarde um representante da Fundação Renova esteve no gabinete do prefeito. A conversa com Neto Barros foi amistosa e este representante, Angelo Cola, disse que a Fundação Renova quer ouvir o prefeito e seus questionamentos num encontro destinado especialmente a esta finalidade.

Neto Barros agradeceu, mas não marcou data para o encontro com a Fundação Renova. O prefeito lamentou a ameaça de processo a que foi vítima e reafirmou que não vai se calar diante de toda a situação envolvendo os atingidos e a Samarco e suas controladoras, Vale e BHP. “Nossa luta vai continuar”, afirmou Neto Barros, que ainda na tarde de ontem recebeu uma equipe da TV Gazeta Noroeste exatamente para falar sobre a ameaça de processo da Fundação Renova. Na entrevista, ele reafirmou sua posição de contrariedade com a inércia dos responsáveis pela tragédia da Samarco em reparar a população atingida e os municípios.
 
À noite, o prefeito Neto Barros recebeu um telefonema do governador Renato Casagrande, quando foi analisada a manifestação dos pescadores que parou a linha férrea em Baixo Guandu por 35 horas.

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