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Espécimes de peixes foram recolhidos antes da chegada da lama em Baixo Guandu

Considerado o maior desastre ambiental do País em todos os tempos, o rompimento da barragem de lama tóxica da mineradora Samarco/Vale em Bento Rodrigues, no município de Mariana (MG), passou a ditar uma contagem regressiva às cidades banhadas pelo rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Boa parte dos 62 bilhões de litros de rejeitos que escaparam do reservatório da mineradora vai se aproximando do litoral capixaba pelo rio Doce levando um rastro de destruição, perplexidade, revolta e incertezas à população ribeirinha. Especialistas ambientais falam em décadas para que o rio Doce volte a ter sua fauna e flora recuperadas.

Desde o dia 05 de novembro, quando se iniciou a tragédia, cidades banhadas pelo rio Doce passaram a se mobilizar e a pôr em prática ações alternativas, sobretudo ao abastecimento de água, que cedo ou tarde teria de ser interrompido.

Mobilização é a palavra que o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros, usa para propor à sociedade que passe a enxergar toda essa catástrofe de maneira mais crítica, ampliada, percebendo o papel que cabe a cada um dos atores envolvidos. “Vamos mobilizar geral para que o crime da Samarco e a tragédia ambiental sirvam para mudarmos a visão distorcida das coisas; vamos lutar para recuperarmos toda a bacia do rio Doce”, disse.

Ao mesmo tempo em que os municípios ribeirinhos do maior rio do Espírito Santo buscavam captar água de outras fontes, ambientalistas, pescadores, moradores e órgãos de defesa do meio ambiente tratavam de salvar o maior número possível de espécies de peixes do rio Doce ainda não alcançados pela lama tóxica que se aproximava, como Baixo Guandu.

SALVAMENTO

Em Baixo Guandu, uma “operação de guerra” teve início tão logo veio a confirmação de que a lama chegaria pelo rio Doce causando os estragos já confirmados na cidade mineira de Governador Valadares: milhares de peixes e outras espécies impiedosamente dizimados pela força da lama e sua toxidade.

A Associação de Pescadores de Mascarenhas, o Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e as Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Rural de Baixo Guandu, com a ajuda de populares, deram início às operações Arca de Noé e Resgate da Ictiofauna do rio Doce, recolhendo centenas de peixes em toda a extensão do rio Doce em Baixo Guandu.

“Com essas operações, conseguimos preservar as espécies nativas  da região do rio Doce e fazer uma reserva genética para quando começar a recuperação da fauna e da flora da sua bacia hidrográfica”, disse a secretária de municipal de Meio Ambiente, Yvone Gobbo.

 

ESPÉCIMES PRESERVADOS

Até a última terça-feira (17) foram recolhidos e encaminhados a lagoas de Colatina e aos reservatórios do IFIS Itapina grandes quantidades de lambaris, alevinos de dourados, cumbaca (raro), cascudos endêmicos, piaus brancos, curimbas, bagre africano (raro), alevinos grandes de pacumã, alevinos de moreia, lagostas grandes e pequenas, camarões, lagostinhas, peixes-agulhas, caranguejos, traíras médias, moluscos bivalves, gastrópodes, enguias ou sarapós, pitus ou carangonços, lagostas vermelhas, cambuiti, tucunarés, alevinos de piau vermelho, lambaris, alevinos de tilápia, cascudo lixa grande, corvinas, alevinos de corvina,  mandiaçus, sapateiros, óscares, mussum e tainhas.

DEPOIMENTOS

Ainda que seja um alento o esforço bem sucedido das duas operações de salvamento de peixes, os danos praticamente irreversíveis serão a realidade mais impiedosa com que as próximas gerações terão de conviver. Estes depoimentos dão bem a dimensão do estrago de que o rio Doce e sua população ribeirinha foram vítimas.  

“Após um dia junto com pescadores, percorrendo toda a margem do rio Doce de Baixo Guandu a Itapina, eu pude ver a dimensão do desastre ambiental que está acontecendo. São muitas espécies e uma imensidão de peixes que serão mortos da forma mais trágica que poderia acontecer”, disse o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Cleidison Cortelette de Souza.

“É triste ver pescadores de 50, 60 anos chorando por desespero por não saberem de onde irão tirar o seu sustento…”, encerrou Yvone Gobbo.

 

Fotos: Jander da Silva

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